sábado, 11 de fevereiro de 2006

Elefantes Voadores



Ahh... O cheiro de mofo...
Há quanto tempo não posto aqui?
Dois, três meses? Quatro?
Tanto faz, eu voltei e é isso que interessa, não?
Ah, não é? Tá. Então mudemos de assunto, que ainda sou em quem manda neste pardieiro.
¬¬
Bem, vou contar uma estória de maneira breve e resumida pra não aborrecer ninguém (HÁ! Essa foi boa...).
Numa certa manhã de domingo, Gregor Samsa acordou e percebeu que...
Hmmm...
Estória errada.
Ahamm...
Numa certa manhã de terça-feira, este que vos posta acordou e pecebeu que tudo continuava como na noite anterior. Mas na quarta-feira, aí sim, a vida do seu interlocutor mudaria para sempre pelos próximos dois meses...
Para situar o leitor, há tempos eu presto serviços a uma empresa muito conhecida de grande parte da população mundial: a Hell Corporations ILTD.
Na época do ocorrido que vos narro, meu chefe me ordenou que tomasse conta de uma rebenta desgarrada de seu rebanh... Er... Digo, quadro de funcionários.
Embora ela tivesse sua - Hmm... Como dizer? "Formação profissionall", talvez? - formação profissional proveniente de uma empresa rival, a Heaven & Sons Enterprises LTD., meu chefe tinha grande interesse em reintegrá-la ao quadro de sua empresa...
Eis que lá venho eu pra terr... Pra rua, a cargo de cuidar para que nenhum anj... Agregado da empresa rival a convencêsse a retornar para o seio de sua... Formação.
E cá estou eu, deslocado no espaço, com um contrato irrevogável, irreversível, intransferível e retroativo, a vagar em torno dessa ovelha de pelagem acinzentada (o cabelo é meio avermelhado, mas deu pra entender o simbolismo, né?), a lamber o chão em que ela pisa...
E um engraçadinho, que sabia de minhas obrigações contratuais para com a favorecida, usou de sua alta sapiência estratégica de manobrabilidade através de brechas para forçá-la a rogar-me, com aqueles olhinhos de coelho no caldeirão da bruxa, que tornasse-me, por tempo indeterminado, um elefante voador.
Cousa que fiz atendendo de pronto e imediato ao pedido de minha protegida.
Vaguei por semanas a fio pelos céus de brigadeiro da superfície, caçando amendoins e fugindo de ratos, trajando vestimenta sem par nos anos 70's e servindo de razão a chacota por parte de todos os que estavam a par de minha funesta situação...
Hoje, meses depois, ainda acordo, de súbito, no meio da noite, suado e assustado, procurando pelos cantos do quarto escuro por aquelas criaturinhas roedoras que me assombraram por tanto tempo...
Talvez, um dia, eu me encontre liberto desse terror noturno que me enrubesce os olhos.
Por ora, resigno-me a tomar do copo de água pousado sobre o criado-mudo, e de dois ou três amendoins a seu lado posicionados, para emergências do gênero...
Nunca se sabe, não é mesmo?