quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Como ficamos todos muito pobres?

Ou sou só eu a pensar assim?
Acompanhemos o raciocínio que me toma com urgência da querela:
Quando eu era pequenino, pedia um presente e esperava um dia.
Mais tarde, esperava uma semana.
Já garoto, esperava um mês.
E então, maiorzinho, esperava uma data comemorativa.
Rapagote, esperava ganhar algum presente quando quer que fosse.
Moço feito, esperava um sorriso que bastasse.
Já berbe, esperava que alguém se me lembrasse a existência.
Há pouco, esperava o trem.
Hoje, espero que não me tomem os bens.
Amanhã vou esperar o quê?
Espero que de mim não esperem nada, pra ser franco.
Porque vão ficar esperando.
E eu sei que isso ninguém espera.
Mas o que esperar de alguém que está esperando algo que não vem?

Esperem o próximo post.
Mas procurem poltronas ao redor (pra não ser redundante).

domingo, 4 de novembro de 2007

Rapidinha


Entenda o processo de criação de um blog.


p.s.: os profetinhas do silício vivem dizendo que o advento da tecnologia jamais substituirá o papel. Que bom, porque eu não consigo me imaginar usando um notebook em determinadas situações... Papel É fundamental.

AUTODETERMINAÇÃO vs. ATIVIDADE NEURONAL




— Adoro esse negócio de Páscoa!
— Cóóóóóóóóóó!






Folheando uma dessas questionáveis publicações sobre psicanálise, encontrei uma matéria que tratava (muito mais elucidativamente do que eu pretendo tratar aqui, é óbvio) da seguinte dúvida: quanto somos livres pra tomar decisões se — uma vez que os neurônios tomam, sim, partido nos nossos processos de escolha — a atividade neuronal é constante?

É esse o mote, por sinal, daquela trilogia cinematográfica de ficção em que não existe colher (essa mesmo, colega...) e todo mundo vive em parafuso com a inevitabilidade conspiratória por trás de tudo (“quem? Eu? Ou eles...?”).

O fato é que, embora nossas ações sofram diretamente os efeitos dessa atividade, a tal não compromete nossa autonomia no que diz respeito à vontade e às ações provenientes de nossos traços de personalidade e nossas convicções formados.

Traduzindo em miúdos: não somos joguetes de nossos organismos, mas o tal do livre-arbítrio acaba de entrar em liberdade condicional.

E, como não podia deixar de ser, para, enfim, resumir: “não curse Medicina se não pode com sangue, panaca!”

Fica a dica.

Vou ali ativar os neurônios do dono do boteco e já venho.

sábado, 3 de novembro de 2007

Quarta-feira de sobras

Vernon: — Sério, Lacerda: era um ratão desse tamanho!
Lacerda: — Ah, sei... Rato. Sei...
Daniel: — É, Vernon, fica quieto e traz a próxima!
Paulo: — Será que aceita Visa?






Delírio passado, razão limpando a casa, sol mais quente que belo, dia abafado e, no entanto, o suor é real.

Antes isso que um sonho que não sai do lugar. Cansam, mais cedo ou mais tarde, os castelinhos de marfim e os beneditos umbigos pra dentro. E ainda que nada disso pareça fazer sentido, acredite: faz.

Pronto, dói no começo, mas depois o barulhinho da broca se mistura com o decote da dentista, que vai se abrindo involuntariamente e cada vez mais, pouco a pouco, até o momento em que ela se levanta pra apanhar aquele forceps bucal e literalmente arrombar a sua boca (e o tesão junto, claro, que nem Jung discordaria que essa dupla arrasa em Gotham City...), depois do que já nem se pode lembrar que existe algum hormônio rondando pelo corpo...

Então vamos ver se a ferrugem esmaece.

Ok, tema do dia: inferno astral.

Não quero falar sobre isso. ¬¬

Tá, eu admito: faz tempo que não escrevo. Não sei por onde começo. Coisa pra converter em letrinha tem, aos montes, diga-se de passagem. O problema é que nada parece ter uma cara muito interessante, e a personagem de hoje tá mais pra ex-detento reafirmando o contrato social que pra cirugião plástico de argumentos e acontecimentos corriqueiros...

Talvez no próximo post, ou no próximo, ou no outro... E assim eu vou enrolando todos VOCÊ (no singular-esquizofrênico, mesmo, porque além da certeza de que só uma pessoa lê essa fava aqui, ainda tem a fé cega no fato de que essa pessoa — nem pasme, que não é novidade nenhuma... — sou EU!), até a hora em que um raio atingir o provedor e a justiça divina aparecer no bairro pra apontar o dedo na cara dos descrentes, bradando o "Tá vendo? Quem mandou?" de praxe. Afinal, irritação pouca é bobagem, né, vovó?

Por hora, a equipe de desenvolvimento (chuta quem...) autorizou a postagem de uma foto e uma legenda de diálogo quádrupla auto-explicativa (tenho um amigo que até hoje diz que fulano "deu um oli-mega-drive-master-system-flip-2.0 na prancha!". Dá pra anistiar uma íngua dessas? Dá. É meu amigo.).

O próximo post será como o povo pede: curto e sintético (porque 'grosso' é plágio, e eu tenho de bajular antes de plagiar. Tô vacinado, Karatê-Kid...), até porque ninguém mais tem tempo a perder com blog ruim (é claro que eu estou falando de mim. Imagina se eu vou ficar perdendo horas de sol e rugas de juventude escrevendo nesse limbo?!).

Os parênteses em excesso continuam. A gente cobre o santo de um lado e fode do outro. É assim que a banda toca desse lado, camarada.