sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Recesso

Caríssimos desocupados freqüentadores do meu limbo.com, é com um puta alívio imenso pesar que venho informá-los que até o dia 8 de novembro (uma rotação planetária após meu cumpleaños) não vos poderei aborrecer com minhas oscilantes manifestações-com-letrinhas neste espacinho safado a que eu chamo de blog (e o resto do mundo chama de "excesso de bagagem").
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Neste fim de semana caberá a mim ciceronear pela capital de concreto um amigo que veio das Minas Geræs tencionando assistir a duas apresentações do Tim Festival e passear pelos mais seletos buracos da cidade no tempo sobressalente em sua agenda de viagem.
Além do prazer de hospedá-lo, devo iniciá-lo no (e conduzi-lo pelo) antro de prostituição mais descolado do país, a Rua Augusta — não necessariamente visando o consumo de sua principal mercadoria, mas em função das casas noturnas e dos bares recheados de moderninhos(as) sedentos(as) por um bocado de esbórnia em drops — e, caso ainda sobre tempo, mostrar-lhe como se encaixa um bar muito charmoso num brechó mais charmoso ainda.
Desejem-me pique. Muito pique.
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Em seguida ao seu retorno à terra natal, devo embrenhar-me na ingrata tarefa de absorver (no menor tempo possível) todo tipo de informação sobre as novidades do mundo automotivo para, a partir desta segunda-feira, participar da cobertura do Salão do Automóvel 2008.
Coisa de dez horas por dia andando pra lá e pra cá decorando coisas como nomes de montadoras, de diretores, de representantes comerciais e de designers, modelos de carros, potências de motores, telefones das modelos conceitos de aerodinâmica, entre outros tecnicismos... Além do envio em tempo real das fotos do evento.
Assim... FODEU, né?
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Em suma, não disporei de tempo sequer para guardar o que sobrar da janta na geladeira. Aliás, é melhor guardar agora, pra no dia 9 eu só ter o trabalho de raspar o môfo dos recipientes e empacotar tudo antes que passe por aqui o coletor de lixo...
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É uma bênção pena passar tantos dias longe deste que já é meu karma terceiro lar (o segundo é A Juriti, não tem concorrência)...
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Prometo voltar com muito assunto besta e sem sal, como "com quantos cavalos se esgota de estafa um trabalhador chinês de 12 anos que confecciona 200 peças de retrovisor por dia", ou "quem bateu no carro da Odette Roittmann", e até mesmo "qual é o critério de avaliação intelectual para a seleção daquelas moças bonitas que decoram os carros", entre outros temas de primeira necessidade.
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Assim sendo, feliz "dia do malabarista manco" adiantado, pro caso de não conseguir falar com ninguém até lá!
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Agora, uma ducha e o penúltimo porre do mês, que o calor não veio a passeio.
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Beijo, abraço, apêrto de mão, passeio-no-bosque, encoxadela-dissimulada e fuga-com-a-prima-pro-quarto-da-tia-enquanto-ninguém-vê pra todo mundo!!!
Aproveitem o fim de semana!
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p.s.: quem quiser um dropzinho ou outro pelo twitter durante o Salão, follow me no @fellipevernon, que eu dou uma twittada sempre que der pra escapar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Trouble Ahead: Lady in Red

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Casey Jones is ready: watch your speed.
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Quase cinco dias se passaram sem que eu postasse aqui. E isso depois de um considerável fluxo de assiduidade, salvo brevíssimos e esporádicos intervalos. Sumi. Cuidava dum insignificante fator de irregularidade, no que se refere à minha práxis bloguística ("blogueira" soaria tão idiota quanto) diária: a vida. Sabe? Esse obstáculo externo imprevisível, esse estorvo que nos faz orgânicos... Claro que eu exagero (e realmente espero não ser mal interpretado com isso, uma vez que adoro estar vivo e respirar e correr e suar e nadar e comer e dormir e questionar e descobrir e não ser um monte de zeros e uns!)...

Não há como escapar duma sina: cedo ou tarde, cede a corda, desfaz-se o nó. O que em mim é constante? Justamente a embaraçosa inconstância. Repete-se com uma precisão pollockiana, realizando à minha revelia seu balé de incompreensível harmonia através de uma total e evidente incongruência. Resultando, no entanto — e contra toda expectativa — numa assombrosa e simétrica parábola. O belo onde nada havia.
Ok, belo aos meus olhos, que vêem beleza em qualquer coisa. Bem... QUASE qualquer coisa. Mas isso não vem ao caso. Ou virá no próximo "Questione o meu bom gosto"...

Alimentar o blog já é uma tarefa, sem o peso da obrigação; uma oração diária pra alguém não religioso. Só não tornou-se uma fixação. Felizmente não é um animal, ao qual eu teria de alimentar religiosamente todos os dias. Se nem de mim eu cuido direito... Bons ventos — e em muito boa hora — fizeram com que eu desistisse de adotar aquele beagle! O que seria do pobre em minha casa? Aliás, o que seria feito dos meus sofás? Bendita decisão!

Fixações: já que as toquei, vamos esclarecer: estão sumindo. Despregando-se do ranço de meu antigo rol de apegos. Não sei como se deu. Ou talvez saiba: muito provavelmente como tudo o que veio e passou nos meus dias. Sem muito alarde e, embora gradativamente, de uma hora pra outra. Como uma dor ordinária que se curasse com o tempo, apenas. A paixão distante que se apaga no virar uma esquina.

Passamos grande parte de nosso tempo procurando ser (ou crer que somos) pessoas melhores, livrarmo-nos do lastro de nossas embarcações, mantermos as velas esticadas... Tudo isso com um esforço sobre-humano, pra constatar que, sem aviso prévio, as coisas acontecem por si. Por vezes resta a dúvida: "até onde fui agente dessa mudança? Até onde foi só o curso da vida, das coisas, do constante devir e cambiar de uma, ou muitas, ou todas as vidas? Foi ato? Ou fato?" Sequer me arrisco numa resposta. Especular por esporte? Tenho interesses mais urgentes.

Se é ou não voluntária, não ambiciono saber. O que sei é que a mudança chega. E com ela, talvez um novo apego. É a hora de ficar atento. Quanto menos apegos, melhor.
Claro que sempre sobra algo... O derradeiro.
Que seja um que valha a pena, então.

Adeus, dama de vermelho. Ou até logo... Mas na próxima vez, serei eu quem dará as cartas.
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p.s.: o cliché é bem batido (surrado, isso sim...), mas eficaz e recorrente por diversas vezes em colóquios que permearam esse período de ausência. Tolerância, meus caros, tolerância...
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arte: Stuart Immonen. Matrix Comics, PinUp Series.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cowpitalismo

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Faltou a definição de 'modo de produção' na edição que eu tinha do "Meu Primeiro Dicionário"... A maior parte de meus atuais infortúnios de ordem financeira seria encarada de maneira no mínimo... Hmm... Como eu diria? "Pitoresca"?

Sim, eu encararia os obstáculos materiais de modo muito mais divertido se associasse o capitalismo a uma rês. Teria no mínimo a impressão de que EU consumiria o fator, ao invés de ser consumido por ele. Parece que faltou esse termo pra todo mundo...

Havia o termo 'vaca', mas ele não me deixou mais rico: apenas mais carnívoro. E hoje em dia, um pouco mais vegetariano, devido ao preço do vocábulo.

p.s.: na verdade, nada disso me interessa. É que tá na moda falar da crise, então entrei na onda. Afinal, onde a vaca vai...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

As diversas cores da vida marrom

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São 06:58h da manhã — deserticamente ensolarada e floreada por um mar de gorjeios — desta linda quarta-feira. Ainda não tomei café, mas estou com um inexplicável bom humor, que NÃO SE DEVE à devolução de uns pingüins ao mar após reabilitação no aquário de Santos. Aliás, vão-se em boa hora: ó o calor que faz aqui!!! Coisa do Demo. Só pode ser. A propósito: valeu, viu, Coisa-Ruim! Eu adoro o friozinho petrificante do inverno, mas... Já deu o que tinha que dar, né...

Pois é, eu tenho que saber de pingüim vacilão a ESSA hora. Decididamente, não é a causa do meu bom humor. Entretanto motivou-me a tomar logo meu café enquanto (não) se vê na TV o meu programa predileto: OFF. Pra desemburrecer é uma maravilha! Eu recomendo. Pro teu pai, pra tua mãe e pra tua tia na janela.

Já sei o que me deixou de bom humor: tenho um estoque infinito (ou quase... Acordei infanto-idiossincrásico) de suco de goiaba! Viciei, agora é tarde. E gosto não se discute.

Vamos ver se depois do café da manhã minha mente resolve trabalhar por mim e desenvolve algum método inédito e infalível pra enriquecer antes dos 40... Porque da alfaiataria, do conserto de relógios e máquinas de escrever e da manutenção de máquinas de fotocópias eu já desisti. Não tenho tanto talento.
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Ê, vidinha mahomêno...

Bem, bom dia e muito equilíbrio a todos, que a gente tá bem no meio da semana! Pegaram? Equilíbrio... Meio... Alusão temporal-alegórica à manutenção do status provisório entre dois polos... Semana... Hmm... Não? Tá. Desculpem. Foi mais forte que eu.


p.s.: interrompi por tempo indeterminado minhas atividades pictóricas porque tô duro e essa merda tá me falindo tenho outros compromissos urgentes.
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p.p.s: vou contratar o Blogger como meu empresário: a 4 dias do início do horário de verão, ele já se adiantou. Pergunta: promovo ou processo? ¬¬

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vive la Fête: fotos [2]

Mais fotos de qualidade duvidosa.
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p.s.: a última vale pela maquiagem conceitual. Pra eu deixar de acreditar que só carro pode ser conceitual...
p.p.s.: arte conceitual, papai noel e igualdade social estão no mesmo patamar.
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Vive la Fête: fotos

Fazendo do bate-cabelo uma arte.
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p.s.: as duas primeiras fotos são, respectivamente, da banda que abriu o show (???) e do Johnny Luxo discotecando com o Herchcovitch.
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sábado, 11 de outubro de 2008

Vive la Fête [2]

Este era um post bêbado.
Sabe?
Daqueles que a gente escreve sem pensar.
Pois é...

Era.

p.s.: antes vazio que cheio de nada.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vive la Fête

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O casal belga mais descolado da paróquia toca nesta sexta-feira, dia 10 de outubro, na The Week, oferecendo em sacrifício a nós, selvagens, as músicas de seu quinto álbum, Jour de Chance.

Usando, fazendo mágica e abusando do synth-pop e do electro, não há sombra de necessidade de dizer que vão causar novamente na capital... Frisson garantido ou seu dinheiro no mínimo bem investido.

Com uma pegada mais rock neste álbum, os queridinhos de Karl Lagerfeld devem arrematar mais apreciadores para seu privilegiadíssimo rebanho. A última resenha que li a respeito dizia que o som estava mais "ensolarado"...
Ok. Não sei onde viram a tal nesga de Sol, mas por não ser crítico musical, resigno-me a tirar sarro dessa afirmação e nada mais. Apesar das guitarras mais animadas, dispenso sem piscar a hipérbole. A subjetividade da arte pode por vezes dar à luz comentários dignos da gaveta cilíndrica que eu mantenho embaixo da minha escrivaninha...

Convites antecipados a R$ 80,00 (salgado, não?) e na porta a R$ 120,00 (já chegou a Semana Santa pra salgarem o bacalhau desse jeito? Cruzes...). Eu diria que vale cada centavo, mas sou um tanto econômico (muquirana); Logo, pra não comprometer minha reputação, deixo a análise a critério de vocês.

O endereço: Rua Guaicurus, 324, Lapa.
Telefone: (11) 5102 2416.

p.s.: adivinhem quem vai... Hehehe! =)
p.p.s.: na faixa, é óbvio, com convitinho gentilmente presenteado pela Revista Simples?... Tenho um balde de prioridades. Show é supérfluo, quando financiado pela vermelhinha (minha conta corrente, devida e carinhosamente batizada assim).

A história das coisas

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Era uma vez um coelho.
Era uma vez uma águia.
Era uma vez o coelho.

Boa noite.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Fiat Vodca

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"... e Deus fez a vodca. E viu que a vodca era boa. Era muito boa."

Pois é, o problema é sempre o dia seguinte, né?
Ele deve tê-la criado no sexto dia... Hmmm... Agora toda aquela ladainha de "descansar no sétimo dia" começa a fazer algum sentido pra mim...

Não tenho nada pra postar agora.
Talvez mais tarde.
Até.
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p.s.: serviço público: desiludiu-se? Petrificou o coração? Cansou de dar murro em ponta de faca? Calma... Não somos minoria. Join us: moimeichego. ;)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Roda Viva: interação total

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Acabo de chegar em casa, depois de destruir dois belos nacos de torta de palmito numa padaria do Klabin. Não chegava aos pés da torta servida no Café da Rua 8, em Brasília, mas teve a decência de me deixar como que sob efeito de morfina. Vão-se a pique meus planos de dormir imediatamente... Ao menos poderei atualizar o blog, já que não o fiz na tarde desta segunda...

Antes de sair, assistia ao Roda Viva, na TV Cultura. No programa de hoje, o pobre sabatinado foi o sociológo Alberto Carlos Almeida, autor dos livros "A Cabeça do Eleitor" (Editora Record, 2008) e "A Cabeça do Brasileiro" (Record, 2007). Ele deve gostar muito de cabeças.

Saí de casa dez minutos antes do fim do programa, logo acompanhei grande parte do interrogatório que, diga-se de passagem, foi deveras misericordioso. Disparates como "o Gabeira é extremamente desconhecido", "cabeça de eleitor funciona em esquemas pré-concebidos" e a absurdamente estereotipada "os homossexuais vivem nas costas leste e oeste, enquanto os conservadores vivem na região central dos US and A" permearam toda a entrevista, mostrando que de esquemas pré-concebidos o sociólogo entende bem. O suficiente para lançar mão deles sempre que colocado contra a parede.

Os "twitteiros" que cobriam o programa em tempo real, por sua vez, demonstraram que o formato é, além de viável, altamente interativo: discussões imediatamente posteriores a qualquer afirmação dos participantes do programa borbulhavam no chat do site do Roda Viva, na barra do twitter nesta mesma página e, evidentemente, no twitter de quem estivesse inteirado e enviando suas impressões e questões para o tag #rodaviva.

A TV Cultura inovou com sua transmissão para a internet com três câmeras cobrindo o programa em Ustream (a câmera principal, com imagem comum à da TV, uma câmera de bastidores e uma terceira filmando as charges do Caruso — todas em tempo real), além das duas possibilidades interativas já citadas (chat e twitter). A participação, a despeito de não ter em mãos os dados concretos, parece ter sido maior que na segunda-feira passada. O método é experimental, mas por estar no começo e fluindo tão bem, promete ganhar cada vez mais adeptos, entusiastas e — como é de se esperar neste mundo onde nada se cria — imitadores. O que é bom gera frutos, afinal...

Se a HDTV, que tanto promete (quase tanto quanto nossos pretendentes a representantes políticos), não disponibilizar no mínimo este singelo leque de recursos, já terá chegado atrasada à nossa Pindorama tão carente de participação de todos que têm voz a ser ouvida. E eu me refiro a quem está em casa, de chinelo e meia, comendo biscoitos com leite; quem está na rua e tem um celular com acesso à internet; ou até mesmo quem tem de se locomover para chegar a um local de onde possa acessar a rede (pagando ou não, já que são poucos os pontos que disponibilizam internet gratuita à população): o povo, sem o sentido populista do termo. Ou seja: todos nós.

A informação está aí, à disposição, pra quem quiser. Pena que nesse "quem quiser" tenha de vir anexado com cola adesiva o "quem puder", ao menos por ora. Porque, como acaba de me dizer um grande amigo (que me acompanhou nas tortas na padaria), esse projeto de popularizar a internet da Dona Marta "tá mais pra proposta de grêmio estudantil que quer transformar escola em clube pra ganhar a eleição" do que pra um projeto viável e funcional. Pois é, Felipão, se você se candidatar a algum cargo público, não se esqueça de instalar caixas de som nos postes e bebedouros de cerveja a cada três esquinas...

Ok, basta.
No próximo post, devo voltar às futilidades superficiais de sempre, pra não perder a parca visitação que estou conseguindo depois de muito esmolar visitantes.

Ótima terça a todos e, se não sabem em quem votar, votem na Elis Regina.
Tão dizendo por aí que ela vai acabar com esse down na high society.
Dá-lhe, Elis!
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p.s.: pra quem quiser assistir E participar do Roda Viva da semana que vem, aqui está o link: Roda Viva. As transmissões têm início cerca de uma hora antes do programa começar.

sábado, 4 de outubro de 2008

Pretinho básico



Das coisas que não saem de moda, uma das que mais aprecio é o bom gosto.

Abrindo a provavelmente nada polêmica (salvo aumente a freqüência de visitantes no meu limbo-blog) série "Questione o Meu Bom Gosto", resolvi postar essa capa über-de-verão (embora fosse inverno na época e local da edição) da carimbadérrima Playboy gringa.

Melinda Windsor, pseudônimo duma graça de mocinha com seios absurdamente enoooormes (yankee adora peitão, como sabemos) que deve ter hoje seus belos 64 aninhos (pensa no perigo dessa combinação...), foi a garota da capa da edição de fevereiro de 1966 da Playboy estadunidense (me dá uma gastura quando eles se auto-proclamam "americanos", como se nós todos — o "resto", segundo os caras... — não o fôssemos!), e seu verdadeiro nome é NÃO FAÇO A MENOR IDÉIA.

Ela usou o pseudônimo pra não complicar sua vida de estudante na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Como se os estudantes de lá não fossem comprar a porcaria da revista... Tsc, tsc...

No fim das contas tanto faz, já que o que me interessa mesmo é o design da capa.
A simplicidade da composição só perde em minimalismo para a combinação equilibradíssima de cores cítricas, à qual não quebram as castanhas madeixas do broto.

E por falar em broto — pausa na questão do bom gosto, já que esse comentário será assumidamente subjetivo, pessoal e intranferível —, ela não lembra a Björk? Ok, nessa eu admito: tocamos no meu ponto fraco. Sou claudicantemente caído pela freak-mistress do underpop (e pensar que ela já foi, sim, underground... Mas por que não massificar, né?)! Como diria um amigo cujo bom gosto é mais que questionável, como se fará claro na citação que segue, "se ela peidar, eu trago!"

Hmmm...

Saca aquela ressaca moral imediata após uma frase infeliz? Então... No momento eu me diria a própria encarnação desse arrependimento. Mas o blog é meu e eu me recuso a apagar. Até porque o que seria do bom gosto sem a escória do kitch, do escatológico e do referencial-mistureba-sem-critério? Vamos dar chance ao mau gosto, também. Valorizar o que é bom tem seus contratempos, afinal.

Pois bem, posto tudo isso, encerramos o primeiro "Questione o Meu Bom Gosto", sem a pretensão de que alguém se digne a replicar. Mas vai que aparece uma alma caridosa, né? Então não custa recomendar alguma polidêz no comentário, só pra mantermos o nível.
Claro que é só uma recomendação: adoro ver o circo pegando fogo. Com o palhaço dentro, de preferência.

Beijo, abraço e passeio no bosque, que apêrto de mão é muito formal pro meu gosto!
E bom domingo pra todo mundo (eu sei que isso é possível)!

p.s.: comprem mais arte. De preferência a minha.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Thanks, God: It's Friday!

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Pois é, gente fina, elegante e sincera: chegou a esbórnia semanal.

A despeito de meus planejamentos econômicos, não mais que vejo-me forçado, compelido, coagido — por que não dizer? — a colocá-los provisoriamente em terceiro plano e entregar-me rendido aos desígnios bacantes do dia de Vênus, ao ígneo fiar de Freya, às diáfanas tentações de Afrodite, que regalam aos asturianos mirandêses, aos timorenses, galegos, romanos, nórdicos, gregos e quem sabe até aos troianos, né? Vai saber...

Claro que, com moderação, todo mundo se lembra de como chegou em casa no fim da noite. Prometo ter na ponta da língua o trajeto quando vier garatujar aqui amanhã! Aliás, prometo a mim mesmo, que de uns tempos pra cá eu tenho quebrado todas as promessas que me fiz. Esse negócio de ser chaminé total-flex não tá dando certo...

Por falar em tantas deusas, não poderia furtar-me ao cliché de cair na religião, né? A gente goooosta de falar do que não manja...

Pois bem, vamos lá: por que patavinas uma freira ficaria feliz por ser sexta-feira? Por acaso é a noite do vinho com hóstia no convento? Ou é o dia informal, em que elas só vestem o hábito branco? As portas dos claustros não são trancadas? E desde quando freira fuma maconha?

Olha, podem me chamar de reacionário, eu até libero. Mas que isso não faz o menor sentido, ah, mas não faz MESMO! Freira maconheira? Vê se pode!?

Bem, na falta de tchau, até amanhã!

Adoro concluir assim, seco.
Ah!, e boa sexta, é claro!!!

p.s.: se você está lendo isso hoje (na sexta), eu recomendo que desligue o computador e vá dar uma volta, a noite está deliciosa! Eu tô indo em meia hora. Se me encontrar bêbado pela cidade, finja que não me conhece. E se você não me conhece, mesmo, finja que hoje é terça.

Cara Nova

Oi!
Este post aqui não tem um motivo pra existir, embora vá me servir pra inaugurar o novo leiaute (eu simplesmente ADORO esses abrasileiramentos!!!) do blog. Pois é. Tudo muda mais cedo ou mais tarde. E até que eu demorei pra mudar aquela cara verde que ele tinha...
Esses posts sem motivo me fazem desconfiar seriamente de ser um portador da hipergrafia, a doença da escrita. Eu poderia dissertar sobre ela por linhas e mais linhas, mas um médico (médico E escritor E membro da Academia Brasileira de Letras, diga-se de passagem...) bem mais confiável que eu (o Dr. Moacyr Scliar) já o fez. Leia aqui.
Olha só! Acho que não sofro desse mal: já tô acabando. Por que isso não acontece no orkut? É tão tentador ultrapassar o limite de caracteres imposto... Hmmm...
Sim, vamos aos fatos: mudei a cara do twitter e do blog, mas a natureza torpe dos textos continua a mesma. Não há razão para preocupações. Este que vos aborrece continua sendo o bom, velho e confiável Vernon.
Eu tenho certeza de que tinha algo a mais por dizer, mas por não poder contar com a minha memória de peixinho dourado, fica pra depois.
No mais, beijo, abraço e apêrto de mão!
Tinha passeio no bosque, também, né...?
Ah, tanto faz.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Matrimônio Crônico Adquirido

Por essas e outras que eu não sou portador e nem pretendo contrair esta mazela... Matrimônio: até o nome cheira mal... Me lembra produto químico.

De instituições falidas na minha vida, já bastam a família, os laços profissionais à distância, os projetos literários e pictóricos, o rol de planos para o futuro e o meu nada modesto débito nA Juriti.

O resto eu entrego nas mãos do Senhor (de repente ele faz um origami de passarinho belezoca com tudo isso).

A despeito de minhas convicções, minha avó continua incansável a perguntar: "Já arrumou uma moça pra morar com você, cuidar da casa e fazer sua comidinha?"
Adoro avós à moda antiga. Ainda mais tendo eu quase (ênfase no redentor "QUASE"...) arrumado uma hipotética futura avó feminista para meus mais hipotéticos ainda futuros prováveis netos... Coitados.

p.s.: moças, não queimem soutiens. Não é legal.
p.p.s: fico nos imaginando (refiro-me ao gênero masculino) saindo por aí a queimar cuecas. Puxa! Que espetáculo grotesco.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

ExpoMusic Center Norte

Neste último fim de semana rolou a ExpoMusic Center Norte, uma das maiores feiras de música da América Latina. Um amigo comentou, sugeriu darmos uma passada e lá fomos nós. Fomos em três. Três perdidos no meio daquela tralha musical toda. Porque eu não toco nada desde os 16 anos, ele já teve até banda, mas não deve sequer se lembrar da cara de um acorde e o terceiro de nós nem carro de boi toca.

Passeamos, vimos instrumentos, músicos, curiosos, maçã-do-amor, essa coisa toda.
Num dos pavilhões acontecia uma competição entre doze músicos selecionados num caldeirão de muitos. Fomos conferir.
O mestre de cerimônias parecia o Príncipe Adam fazendo figuração no Miami Vice. Medonho. E gostava de falar, o carinha... Ô se gostava!
Aliás, não dispensou alguma ironia quando frisou que de doze só conheceríamos dez, já que "duas bandas resolveram não aparecer"... Fofo, o moço, né?
Vai ver tinham marcado um churrasco e preferiram ficar no esquema carne/cerveja. E eu lhes daria toda a razão.

De todas as atrações, poucas se salvavam. Uma loirinha nervosa com um parceiro no violão e uma banda de funk (funk mesmo, não o batidão dos bondes e cia.) tiveram de segurar o peso da responsabilidade por todos os demais. Um espetáculo de terrorismo sonoro, um verdadeiro massacre. Não sei como saí inteiro.

Um rapazola que meu amigo apelidou de Richarlison (não sei se a grafia é assim e não tenho a menor pretensão de saber) completou o show de horror com uma música cuja qualidade, pra ser duvidosa, ainda teria de melhorar um belo bocado.
Enfim: perda total. Não há seguro que cubra.

Por sorte, quando já estávamos indo embora frustrados, batemos de frente com um pocket show do Nenhum de Nós. Foi a glória! Salvou a noite, matou a saudade e causou arrepios nostálgicos. Quando moleque, eu achava romântico cantar "Camila" pra uma namoradinha-de-mão-dada...
Criança não tem critério.

"Astronauta de Mármore" obviamente fechou o show; quase chorei (hipérboles geram comoção, preciso de leitores nesse limbo) e concluí que, a despeito do concurso de "talentos" anterior, a noite tinha, sim, valido a pena.

Agora é esperar o próximo pra ver se os produtores tomam vergonha na cara e colocam músicos decentes nesse concurso maluco.
Ainda ouço o barulhinho de unhas no quadro-negro... Ai!
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Fotos: Cover do Richarlison (ainda não sei da grafia), a animação do jurado e o pocket show do Nenhum de Nós.


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Postando b^ebadddo

Minha escrita é redonda e sintética.
Não sei como até hoje eu nunca descrevi isso.
A caligrafia é a mãe do que eu faço.
Porque eu não APENAS pinto e desenho:
eu escrevo com cores.
E melhor ainda com traços.
Não me pagam o que o Mercado cotou pra mim, antes que eu decidisse que o seria.
O Mercado é traiçoeiro.
E o blogger deveria ter bafômetro.
Assim ninguém penaria por ter de ler isso. Ou isto. Ou se pâns até aquilo, que esse negócio de "gramática conscienciosa" tá me torturando no cata-milho que é o confeccionar este blog-limbo...
Bláhh.
(isso foi um conceitual e subjetivíssimo "beijo")
Sem mais, outro bláhh!
:)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Santinhos fofinhos

Recebi uma correspondência daquelas de político, sabe? As que eles mandam de quatro em quatro anos reiterando sua participação ativa nas conquistas políticas da comunidade e tals.
Era do Tripoli. E eu conjuguei o verbo nesse tempo porque vocês já devem imaginar onde a correspondência está neste exato momento, né?

Então.

Daí que eu abro pra ver a natureza do apêlo (a variedade é enorme, uma verdadeira gama — pra lançar mão deste cliché adorável — de estilos de mendigagem de votos) e encontro cinco lindos santinhos dentro da carta. Segue a justificativa:

"No dia 05 de outubro, precisarei do seu voto. Mais do que isso: preciso da sua ajuda na conquista dos votos de seus amigos e parentes, por isso estou enviando cédulas."

Ok. Vamos por partes.

Se precisa tanto assim do meu voto, deveria ter terminado a primeira frase com um ponto de exclamação. Não suporto político desalentado. Energia, campeão, energia!!!

E que papo é esse de ajudá-lo a conquistar os votos de meus amigos e parentes?
Vai à luta, chefia. Tá pensando que é assim, só passar a mão na cabeça duns três vira-latas que todo mundo vai professar tua fé? Acorda, cara.

Agora a polêmica: a lei do PSIU.
ADORO dormir no silêncio, mas convenhamos, camarada: os melhores lugares que eu freqüento adquiriram o desagradabilíssimo hábito de me expulsar antes da 01:00h da matina. FODA, MEU! Nem bêbado eu tô a essa hora. Puta bola fora. Quem sabe daqui a uns trinta anos eu não mude de opinião?

Quanto aos santinhos... Bicho, são cinco santinhos, cada um com um animal da fauna brasileira (dois não especificamente patrimônio nacional): uma arara, um mico, um lobo-guará, um cachorro e um gato.
Se fosse um bebê de Ray-Ban ou um casal de velhinhos abraçados eu até votava ni tu, patrão. Mas não força, né, nêgo... É feio. Papai-do-Céu castiga.
E santinho, até onde chega minha parca e capenga capacidade de raciocínio, NÃO É CÉDULA!

p.s.: eu até procurei o santinho em boa resolução no Google Images, mas não tinha, e nem a pau que eu ia me dar ao trabalho de baixar no site dele. Me erra, candidato!
p.p.s: eu cortei o número dele no santinho pra não fazer merchandising. Aqui, se quiser propaganda positiva, vai ter de pagar! E bem!
p.p.p.s.: sim, a maleabilidade da minha opinião e posição política é proporcinal ao montante da propina.

msn from hell

Hoje cedo, depois de acordar, escovar os dentes, tomar café e coisa e tal, me deparei com uma cena que me parece tipicamente brasileira: a fila. Mas aquela fila brasieleeeeira, mesmo: grande e que não anda.
E o pior é que não foi numa repartição pública, foi aqui em casa, mesmo.
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Ao sentar-me em frente ao computador e tirá-lo do modo de espera, notei que minha barra de tarefas estava toda laranja. Ontem eu deixei o messenger Online e fui dormir.
Os comentários variavam desde o habitual "oi, vc tá aí?" até os que eu não posso — ou não creio adequado, como preferirem... — citar aqui.
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Ao contrário das filas a que estamos acostumados, não foi por descaso ou falta de profissionalismo: foi pura displicência. Ou excesso de tarefas extra-eletrônicas.
Recebi visitas, tive de fazer a janta, a barba, tomar uma ducha, essas coisas que nos roubam da vida na web, sabe? A tal da vida real. Essa coisinha.
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Ainda assim, ao perceber o estrago, concluí que é de uma tremenda crueldade promover um lapso destes. Tão cruel quanto passar molho de carne na cauda de um cachorro e ficar sentado, assistindo ao pobre rodando em torno de si mesmo atrás do rabo.
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Hoje eu devo visitar minha avó e terminar uns desenhos encomendados, então prometo só abrir o msn DEPOIS de tudo terminado, pra não ferrar com mais ninguém.
Peço desculpas aos que forem mais tolerantes, e aos demais eu recomendo o PROCON.
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Bom dia a todos, principalmente por não ser mais a porra do Emo Day. Aliás, quem foi o infeliz que resolveu criar esse dia? Ô, falta do que fazer, hein?
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p.s.: minha tecla delete tá de chico. Funciona quando quer. Daí você pergunta "e daí?" Pois é. E daí?
p.p.s.: ainda estou me divertindo horrores com o @vitorfasano no Twitter. Não dá pra enjoar dessa pérola! Vou seguir o @mamaduh, também. :)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Paladar muito suspeito

Ok, essa foi o fim da picada.

Hoje (agora há pouco, pra ser mais preciso) eu tomei um susto que não vai mudar a vida de ninguém, mas que vou descrever assim mesmo.

Estava tomando café da manhã na hora do almoço (não por ter acordado tarde, mas por ter almoçado na hora do café — macarrão com bife e cenoura às 8:00h da matina, só pra constar... Pode?), quando a coisa aconteceu.
Comia queijo, bolo de milho e uma caneca absurda de café quando, de repente (adoro esses clichés de suspense...), notei que não sentia o gosto do queijo.
Tentei justificar o fato alegando esquizofrenicamente que o queijo era mussarela (prefiro os dois ésses aos dois zês), mas não colou: comi outro naco pra ver se não era só impressão. Não era. Onde tinha ido parar o gosto da mussarela?

Confesso que senti um certo alívio, pois pensei idiotamente que não precisaria mais parar de fumar, já que meu paladar teria ido pras picas, mesmo...
Então comi um pedaço de bolo e, em seguida — displicentemente me esquecendo de tomar uma senhora golada de café entre um quitute e outro —, comi mais queijo. Dessa vez senti o gosto. Desespero imediato: meu paladar estava em ordem.

O café era o verdadeiro culpado. Café forte, com pouco açúcar. Não me deixava sentir o gosto de nada que viesse depois dele. Digamos que eu faço um café de personalidade marcante. Se depender disso, já posso até me casar. Talvez com alguma nadadora sueca de dois metros de altura que me bata com um rolo de macarrão quando eu chegar tarde em casa. Não imagino uma mulher mais delicada que isso apreciando meu café...

Tive de reconsiderar minha decisão acerca do cigarro. Porcaria.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Zen-nadismo

"Enclausurada
No círculo de nanquim —
Mente vazia."
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Ontem eu pensei num haicai do Basho.

"A libélula —
Sem conseguir se agarrar
A uma folha de capim."

Larguei uma gargalhada de irritar vizinho delegado. Pensei cá com minhas fivelas: satori? Nãããão... Eu não tenho dinheiro pra ter um satori.

Essas coisinhas, os haicais — e eu escrevo assim mesmo, estrangeirismos à parte — são uma delícia! Imagine um sorvete. Mas não na casquinha: no papel. Ou no monitor, tanto faz. Agora imagine aquela beeeeela calda de caramelo. Pronto: taí um haicai gelado.

O que nos impede de enxergar com simplicidade a simplicidade inerente a QUALQUER coisa, situação, evento ou circunstância? Falta de tempo? Praticidade? Pé no chão até demais? Olha, até tenho a pretensão de saber, mas não concluo nada.

E quanto à subjetividade de um blog que deveria entreter as poucas almas que por ele aparecem? Bem, dessa eu concluo que já passou dos limites. Palavra: de post em post, o texto se tornará cada vez mais objetivo. Evidentemente, como se faz com a compra a crédito (vulgo 'fiado'), "a partir do próximo" será a palavra de ordem. Devo, não nego. Pago no próximo, portanto.

Comam mais transgênicos (vamos ver se alguma rede de fast food patrocina isso aqui)!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Grand Hôtel Vernon Boulevard

Ok: ela pediu, Vernon voltou.

Vernon sempre volta. E esse negócio de se auto-referir na terceira pessoa é sinal de esquizofrenia. Pelo menos não é na terceira do plural (que caracterizaria disturbio esquizofrênico megalomaníaco)...

É sempre traumático voltar a escrever. Não como um parto, mas dá sempre aquela impressão de ferrugem, como acordar num hotel, longe de casa e de ressaca, pisando em ovos e sem a segurança habitual do pegar-o-leite-no-mesmo-lugar-onde-ele-sempre-fica-na-geladeira... Como se tudo tivesse de ser estudado antes de qualquer decisão ser tomada. Este texto, por exemplo, não foi estudado. Se fosse um despertar num hotel, ele seria algo como sair do quarto de roupão e dar de cara com um casal de idosos católicos: nada grave ou despudorado, mas no mínimo o rubor do ridículo no rosto...

Por falar em pisar em ovos, de ontem pra hoje eu pensei bastante em como as coisas se tornam corriqueiras da noite pro dia (ok, só parece um trocadilho: juro que não é...) nas nossas vidas. Aquilo que antes parecia um rito de passagem de uma cultura bárbara de repente se torna um amarrar de sapatos. Um abotoar de camisa. O beber um copo d'água. Nos sentimos seguros no mundo do costume. O corriqueiro nos afaga. E sabemos que as mudanças são interessantes: representam o fluxo, o movimento do que está — o termo é inapropriado, mas suficiente — vivo. Mudança é sempre sinal de atividade, de ação. Quem muda se aventura no cotidiano. Desce as corredeiras do que está por vir, escala o PUTA MERDA, QUE METÁFORAS MAIS BREGAS! Horríveis... Isso que dá beber na quinta: eu acordo bucólico na sexta... Ou talvez seja a Nancy Sinatra cantando You Only Live Twice. James Bond que me perdôe, mas como espionar alguma coisa com essa mulher cantando? Escrever sem açúcar, nem se fala...

Que eu mude o foco, então.

Tenho me sentido num hotel há três anos. Sinto falta de uma vida que não vai se repetir, de um lugar em que provavelmente não voltarei a morar, de gente que vou levar muito tempo pra rever. E, por incrível que pareça, eu estou exatamente onde deveria me sentir em casa. Estou em casa. Alguma coisa se molhou (e não foi a paisagem, Milton)... O que devia ser um sonho no meio da vida tornou-se o pouco de vida real numa vida de sonho. É, eu sei. Ficou meio tétrico... Brasília é um lugar tétrico. Quando a gente chega, todo cruzamento parece igual. Todo mundo parece igual. Não são iguais. Depois que a gente se envolve, percebe que são mais reais que muita gente que habita nosso dia-a-dia. Reais demais, a ponto de deixarem buracos quando a distância canta os louros. Trágica a nossa sina: deixar alguém entrar, ver esse(s) alguém(ns) saindo e depois sentir de longe...
Nós vivíamos ilhados e, no fim, nos bastávamos. Não acordei bucólico: acordo nostálgico, e há mais de mil dias, literalmente, porque naquele cerrado árido, o mais belo oásis brotou do chão trincado. Lá eu vivi e, às vezes, quando o ar fica mais leve, volto a viver, até que alguém me acorde. Sinto a falta, a ausência. Sólida, implacável, como um poste que esmagasse o capô do meu carro. Sinto o peso do que não é mais. Que bom que um dia foi. Agora será pra sempre.