terça-feira, 30 de setembro de 2008

ExpoMusic Center Norte

Neste último fim de semana rolou a ExpoMusic Center Norte, uma das maiores feiras de música da América Latina. Um amigo comentou, sugeriu darmos uma passada e lá fomos nós. Fomos em três. Três perdidos no meio daquela tralha musical toda. Porque eu não toco nada desde os 16 anos, ele já teve até banda, mas não deve sequer se lembrar da cara de um acorde e o terceiro de nós nem carro de boi toca.

Passeamos, vimos instrumentos, músicos, curiosos, maçã-do-amor, essa coisa toda.
Num dos pavilhões acontecia uma competição entre doze músicos selecionados num caldeirão de muitos. Fomos conferir.
O mestre de cerimônias parecia o Príncipe Adam fazendo figuração no Miami Vice. Medonho. E gostava de falar, o carinha... Ô se gostava!
Aliás, não dispensou alguma ironia quando frisou que de doze só conheceríamos dez, já que "duas bandas resolveram não aparecer"... Fofo, o moço, né?
Vai ver tinham marcado um churrasco e preferiram ficar no esquema carne/cerveja. E eu lhes daria toda a razão.

De todas as atrações, poucas se salvavam. Uma loirinha nervosa com um parceiro no violão e uma banda de funk (funk mesmo, não o batidão dos bondes e cia.) tiveram de segurar o peso da responsabilidade por todos os demais. Um espetáculo de terrorismo sonoro, um verdadeiro massacre. Não sei como saí inteiro.

Um rapazola que meu amigo apelidou de Richarlison (não sei se a grafia é assim e não tenho a menor pretensão de saber) completou o show de horror com uma música cuja qualidade, pra ser duvidosa, ainda teria de melhorar um belo bocado.
Enfim: perda total. Não há seguro que cubra.

Por sorte, quando já estávamos indo embora frustrados, batemos de frente com um pocket show do Nenhum de Nós. Foi a glória! Salvou a noite, matou a saudade e causou arrepios nostálgicos. Quando moleque, eu achava romântico cantar "Camila" pra uma namoradinha-de-mão-dada...
Criança não tem critério.

"Astronauta de Mármore" obviamente fechou o show; quase chorei (hipérboles geram comoção, preciso de leitores nesse limbo) e concluí que, a despeito do concurso de "talentos" anterior, a noite tinha, sim, valido a pena.

Agora é esperar o próximo pra ver se os produtores tomam vergonha na cara e colocam músicos decentes nesse concurso maluco.
Ainda ouço o barulhinho de unhas no quadro-negro... Ai!
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Fotos: Cover do Richarlison (ainda não sei da grafia), a animação do jurado e o pocket show do Nenhum de Nós.


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Postando b^ebadddo

Minha escrita é redonda e sintética.
Não sei como até hoje eu nunca descrevi isso.
A caligrafia é a mãe do que eu faço.
Porque eu não APENAS pinto e desenho:
eu escrevo com cores.
E melhor ainda com traços.
Não me pagam o que o Mercado cotou pra mim, antes que eu decidisse que o seria.
O Mercado é traiçoeiro.
E o blogger deveria ter bafômetro.
Assim ninguém penaria por ter de ler isso. Ou isto. Ou se pâns até aquilo, que esse negócio de "gramática conscienciosa" tá me torturando no cata-milho que é o confeccionar este blog-limbo...
Bláhh.
(isso foi um conceitual e subjetivíssimo "beijo")
Sem mais, outro bláhh!
:)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Santinhos fofinhos

Recebi uma correspondência daquelas de político, sabe? As que eles mandam de quatro em quatro anos reiterando sua participação ativa nas conquistas políticas da comunidade e tals.
Era do Tripoli. E eu conjuguei o verbo nesse tempo porque vocês já devem imaginar onde a correspondência está neste exato momento, né?

Então.

Daí que eu abro pra ver a natureza do apêlo (a variedade é enorme, uma verdadeira gama — pra lançar mão deste cliché adorável — de estilos de mendigagem de votos) e encontro cinco lindos santinhos dentro da carta. Segue a justificativa:

"No dia 05 de outubro, precisarei do seu voto. Mais do que isso: preciso da sua ajuda na conquista dos votos de seus amigos e parentes, por isso estou enviando cédulas."

Ok. Vamos por partes.

Se precisa tanto assim do meu voto, deveria ter terminado a primeira frase com um ponto de exclamação. Não suporto político desalentado. Energia, campeão, energia!!!

E que papo é esse de ajudá-lo a conquistar os votos de meus amigos e parentes?
Vai à luta, chefia. Tá pensando que é assim, só passar a mão na cabeça duns três vira-latas que todo mundo vai professar tua fé? Acorda, cara.

Agora a polêmica: a lei do PSIU.
ADORO dormir no silêncio, mas convenhamos, camarada: os melhores lugares que eu freqüento adquiriram o desagradabilíssimo hábito de me expulsar antes da 01:00h da matina. FODA, MEU! Nem bêbado eu tô a essa hora. Puta bola fora. Quem sabe daqui a uns trinta anos eu não mude de opinião?

Quanto aos santinhos... Bicho, são cinco santinhos, cada um com um animal da fauna brasileira (dois não especificamente patrimônio nacional): uma arara, um mico, um lobo-guará, um cachorro e um gato.
Se fosse um bebê de Ray-Ban ou um casal de velhinhos abraçados eu até votava ni tu, patrão. Mas não força, né, nêgo... É feio. Papai-do-Céu castiga.
E santinho, até onde chega minha parca e capenga capacidade de raciocínio, NÃO É CÉDULA!

p.s.: eu até procurei o santinho em boa resolução no Google Images, mas não tinha, e nem a pau que eu ia me dar ao trabalho de baixar no site dele. Me erra, candidato!
p.p.s: eu cortei o número dele no santinho pra não fazer merchandising. Aqui, se quiser propaganda positiva, vai ter de pagar! E bem!
p.p.p.s.: sim, a maleabilidade da minha opinião e posição política é proporcinal ao montante da propina.

msn from hell

Hoje cedo, depois de acordar, escovar os dentes, tomar café e coisa e tal, me deparei com uma cena que me parece tipicamente brasileira: a fila. Mas aquela fila brasieleeeeira, mesmo: grande e que não anda.
E o pior é que não foi numa repartição pública, foi aqui em casa, mesmo.
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Ao sentar-me em frente ao computador e tirá-lo do modo de espera, notei que minha barra de tarefas estava toda laranja. Ontem eu deixei o messenger Online e fui dormir.
Os comentários variavam desde o habitual "oi, vc tá aí?" até os que eu não posso — ou não creio adequado, como preferirem... — citar aqui.
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Ao contrário das filas a que estamos acostumados, não foi por descaso ou falta de profissionalismo: foi pura displicência. Ou excesso de tarefas extra-eletrônicas.
Recebi visitas, tive de fazer a janta, a barba, tomar uma ducha, essas coisas que nos roubam da vida na web, sabe? A tal da vida real. Essa coisinha.
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Ainda assim, ao perceber o estrago, concluí que é de uma tremenda crueldade promover um lapso destes. Tão cruel quanto passar molho de carne na cauda de um cachorro e ficar sentado, assistindo ao pobre rodando em torno de si mesmo atrás do rabo.
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Hoje eu devo visitar minha avó e terminar uns desenhos encomendados, então prometo só abrir o msn DEPOIS de tudo terminado, pra não ferrar com mais ninguém.
Peço desculpas aos que forem mais tolerantes, e aos demais eu recomendo o PROCON.
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Bom dia a todos, principalmente por não ser mais a porra do Emo Day. Aliás, quem foi o infeliz que resolveu criar esse dia? Ô, falta do que fazer, hein?
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p.s.: minha tecla delete tá de chico. Funciona quando quer. Daí você pergunta "e daí?" Pois é. E daí?
p.p.s.: ainda estou me divertindo horrores com o @vitorfasano no Twitter. Não dá pra enjoar dessa pérola! Vou seguir o @mamaduh, também. :)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Paladar muito suspeito

Ok, essa foi o fim da picada.

Hoje (agora há pouco, pra ser mais preciso) eu tomei um susto que não vai mudar a vida de ninguém, mas que vou descrever assim mesmo.

Estava tomando café da manhã na hora do almoço (não por ter acordado tarde, mas por ter almoçado na hora do café — macarrão com bife e cenoura às 8:00h da matina, só pra constar... Pode?), quando a coisa aconteceu.
Comia queijo, bolo de milho e uma caneca absurda de café quando, de repente (adoro esses clichés de suspense...), notei que não sentia o gosto do queijo.
Tentei justificar o fato alegando esquizofrenicamente que o queijo era mussarela (prefiro os dois ésses aos dois zês), mas não colou: comi outro naco pra ver se não era só impressão. Não era. Onde tinha ido parar o gosto da mussarela?

Confesso que senti um certo alívio, pois pensei idiotamente que não precisaria mais parar de fumar, já que meu paladar teria ido pras picas, mesmo...
Então comi um pedaço de bolo e, em seguida — displicentemente me esquecendo de tomar uma senhora golada de café entre um quitute e outro —, comi mais queijo. Dessa vez senti o gosto. Desespero imediato: meu paladar estava em ordem.

O café era o verdadeiro culpado. Café forte, com pouco açúcar. Não me deixava sentir o gosto de nada que viesse depois dele. Digamos que eu faço um café de personalidade marcante. Se depender disso, já posso até me casar. Talvez com alguma nadadora sueca de dois metros de altura que me bata com um rolo de macarrão quando eu chegar tarde em casa. Não imagino uma mulher mais delicada que isso apreciando meu café...

Tive de reconsiderar minha decisão acerca do cigarro. Porcaria.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Zen-nadismo

"Enclausurada
No círculo de nanquim —
Mente vazia."
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Ontem eu pensei num haicai do Basho.

"A libélula —
Sem conseguir se agarrar
A uma folha de capim."

Larguei uma gargalhada de irritar vizinho delegado. Pensei cá com minhas fivelas: satori? Nãããão... Eu não tenho dinheiro pra ter um satori.

Essas coisinhas, os haicais — e eu escrevo assim mesmo, estrangeirismos à parte — são uma delícia! Imagine um sorvete. Mas não na casquinha: no papel. Ou no monitor, tanto faz. Agora imagine aquela beeeeela calda de caramelo. Pronto: taí um haicai gelado.

O que nos impede de enxergar com simplicidade a simplicidade inerente a QUALQUER coisa, situação, evento ou circunstância? Falta de tempo? Praticidade? Pé no chão até demais? Olha, até tenho a pretensão de saber, mas não concluo nada.

E quanto à subjetividade de um blog que deveria entreter as poucas almas que por ele aparecem? Bem, dessa eu concluo que já passou dos limites. Palavra: de post em post, o texto se tornará cada vez mais objetivo. Evidentemente, como se faz com a compra a crédito (vulgo 'fiado'), "a partir do próximo" será a palavra de ordem. Devo, não nego. Pago no próximo, portanto.

Comam mais transgênicos (vamos ver se alguma rede de fast food patrocina isso aqui)!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Grand Hôtel Vernon Boulevard

Ok: ela pediu, Vernon voltou.

Vernon sempre volta. E esse negócio de se auto-referir na terceira pessoa é sinal de esquizofrenia. Pelo menos não é na terceira do plural (que caracterizaria disturbio esquizofrênico megalomaníaco)...

É sempre traumático voltar a escrever. Não como um parto, mas dá sempre aquela impressão de ferrugem, como acordar num hotel, longe de casa e de ressaca, pisando em ovos e sem a segurança habitual do pegar-o-leite-no-mesmo-lugar-onde-ele-sempre-fica-na-geladeira... Como se tudo tivesse de ser estudado antes de qualquer decisão ser tomada. Este texto, por exemplo, não foi estudado. Se fosse um despertar num hotel, ele seria algo como sair do quarto de roupão e dar de cara com um casal de idosos católicos: nada grave ou despudorado, mas no mínimo o rubor do ridículo no rosto...

Por falar em pisar em ovos, de ontem pra hoje eu pensei bastante em como as coisas se tornam corriqueiras da noite pro dia (ok, só parece um trocadilho: juro que não é...) nas nossas vidas. Aquilo que antes parecia um rito de passagem de uma cultura bárbara de repente se torna um amarrar de sapatos. Um abotoar de camisa. O beber um copo d'água. Nos sentimos seguros no mundo do costume. O corriqueiro nos afaga. E sabemos que as mudanças são interessantes: representam o fluxo, o movimento do que está — o termo é inapropriado, mas suficiente — vivo. Mudança é sempre sinal de atividade, de ação. Quem muda se aventura no cotidiano. Desce as corredeiras do que está por vir, escala o PUTA MERDA, QUE METÁFORAS MAIS BREGAS! Horríveis... Isso que dá beber na quinta: eu acordo bucólico na sexta... Ou talvez seja a Nancy Sinatra cantando You Only Live Twice. James Bond que me perdôe, mas como espionar alguma coisa com essa mulher cantando? Escrever sem açúcar, nem se fala...

Que eu mude o foco, então.

Tenho me sentido num hotel há três anos. Sinto falta de uma vida que não vai se repetir, de um lugar em que provavelmente não voltarei a morar, de gente que vou levar muito tempo pra rever. E, por incrível que pareça, eu estou exatamente onde deveria me sentir em casa. Estou em casa. Alguma coisa se molhou (e não foi a paisagem, Milton)... O que devia ser um sonho no meio da vida tornou-se o pouco de vida real numa vida de sonho. É, eu sei. Ficou meio tétrico... Brasília é um lugar tétrico. Quando a gente chega, todo cruzamento parece igual. Todo mundo parece igual. Não são iguais. Depois que a gente se envolve, percebe que são mais reais que muita gente que habita nosso dia-a-dia. Reais demais, a ponto de deixarem buracos quando a distância canta os louros. Trágica a nossa sina: deixar alguém entrar, ver esse(s) alguém(ns) saindo e depois sentir de longe...
Nós vivíamos ilhados e, no fim, nos bastávamos. Não acordei bucólico: acordo nostálgico, e há mais de mil dias, literalmente, porque naquele cerrado árido, o mais belo oásis brotou do chão trincado. Lá eu vivi e, às vezes, quando o ar fica mais leve, volto a viver, até que alguém me acorde. Sinto a falta, a ausência. Sólida, implacável, como um poste que esmagasse o capô do meu carro. Sinto o peso do que não é mais. Que bom que um dia foi. Agora será pra sempre.