"Praticar o zen budismo num mundo como este em que vivemos exige do fulano (não dá nem pra fazer a piadinha "exige do cristão"...) uma altíssima dose de não sei o quê — eu já teria providenciado um estoque, caso soubesse o que demanda a tarefa...
PRINCIPALMENTE quando ocristão fulano se mete a queimar a largada, interbagunçando tudo com perguntas sem sentido, uma compreensão muito da capenga acerca do assunto (que provavelmente não tem absolutamente NADA A VER COM NADA) e uma provável (porque sacanagem pouca é bobagem) indisposição ao consenso na sua empreitada em busca de sangue dialético e/ou cabecinhas vibrando no epilético up & down da concordância inconseqüente (e eu diria que por pura preguiça de continuar dando murro em ponta de faca...).
Ou seja: tem horas em que a vontade geral da nação-do-eu-sozinho é mandar tomátudonoscu e sugerir a leitura de qualquer introduçãozinha básica-e-mal-escrita-de-livrariaria-de-auto-ajuda-de-porta-de-garagem ao assunto antes de qualquer incursão pelos corredores do "por quê? Por quê? Por quêêêêêê???"
MAAAAS (tava na cara que, mesmo gramaticalmente fucking inadequado, ia rolar um mas, né? Então porque a cara de surpresa, Brasil?)... Eis que* depois do baque a gente para, respira fundo, olha pra frente (e pra cima, bufando de raiva ou de algo que a valha) e decide tentar de novo, porque todo mundo começa de algum ponto e não é com a impaciência de um que se constrói o caminho de outro. O pensamento surge: "é preciso tentar, alguém depende desse esforço..."
Felizmente a razão reaparece e a gente manda tománoblábláblá de novo, porque errar é humano, repetir o erro é burrice, o idiota que se vire, que tem mais é que se ferrar, mesmo, coisa e tal, essas coisas...
E pega essa compaixão, enfia num envelope pardo e remete via aérea pro deserto da Namíbia, que você ganha mais.
Porra."
O trecho acima foi retirado do depoimento de um homem que perdeu uma noite de sono ao cruzar as planícies da terra-dos-que-deviam-ter-nascido-ostras e, repentinamente, encontrou-se acuado pelas intempéries do mundo das criaturas-que-só-tecem-perguntas-idiotas justamente durante o ciclo das chuvas na selva-da-puta-ignorância-meu...
Há fortes indícios de que o teor do texto, os acontecimentos e as personagens em questão sejam fictícios, mas no lugar de vocês, eu não arriscaria perguntar... Até porque o termo zen (derivado do chinês c'han, que por sua vez, tem origem no vocábulo hindú dhyanna) decididamente NÃO SIGNIFICA (em português) "oi, eu amo todos vocês e estou à sua inteira disposição para o que quer que precisem, amiguinhos".
p.s.: ok, ok, agora chega, vamos aos fatos: isto é uma brincadeira — cruel e de mau gosto, diga-se de passagem, mas ainda assim uma brincadeira — destinada a limpar de uma vez por todas qualquer resquício de permanência em vossos cerebêlos da idéia de que a tradição zen vai dar colher-de-chá pros bundões que pensam que as Tartarugas Ninja são a síntese do pensamento budista assimilado pelo ocidente.
p.s.2: aproveitando essalavagem cerebral recente onda espiritualista Global (plim, plim!), é mister esclarecer que NÃO HÁ VACAS NOS TEMPLOS ZEN BUDISTAS.
* começar frases com "Eis que..." é tão brega, mas ao mesmo tempo tão sedutor... Quase um Wando em letrinhas (NOT! ¬¬).
PRINCIPALMENTE quando o
Ou seja: tem horas em que a vontade geral da nação-do-eu-sozinho é mandar tomátudonoscu e sugerir a leitura de qualquer introduçãozinha básica-e-mal-escrita-de-livrariaria-de-auto-ajuda-de-porta-de-garagem ao assunto antes de qualquer incursão pelos corredores do "por quê? Por quê? Por quêêêêêê???"
MAAAAS (tava na cara que, mesmo gramaticalmente fucking inadequado, ia rolar um mas, né? Então porque a cara de surpresa, Brasil?)... Eis que* depois do baque a gente para, respira fundo, olha pra frente (e pra cima, bufando de raiva ou de algo que a valha) e decide tentar de novo, porque todo mundo começa de algum ponto e não é com a impaciência de um que se constrói o caminho de outro. O pensamento surge: "é preciso tentar, alguém depende desse esforço..."
Felizmente a razão reaparece e a gente manda tománoblábláblá de novo, porque errar é humano, repetir o erro é burrice, o idiota que se vire, que tem mais é que se ferrar, mesmo, coisa e tal, essas coisas...
E pega essa compaixão, enfia num envelope pardo e remete via aérea pro deserto da Namíbia, que você ganha mais.
Porra."
O trecho acima foi retirado do depoimento de um homem que perdeu uma noite de sono ao cruzar as planícies da terra-dos-que-deviam-ter-nascido-ostras e, repentinamente, encontrou-se acuado pelas intempéries do mundo das criaturas-que-só-tecem-perguntas-idiotas justamente durante o ciclo das chuvas na selva-da-puta-ignorância-meu...
Há fortes indícios de que o teor do texto, os acontecimentos e as personagens em questão sejam fictícios, mas no lugar de vocês, eu não arriscaria perguntar... Até porque o termo zen (derivado do chinês c'han, que por sua vez, tem origem no vocábulo hindú dhyanna) decididamente NÃO SIGNIFICA (em português) "oi, eu amo todos vocês e estou à sua inteira disposição para o que quer que precisem, amiguinhos".
p.s.: ok, ok, agora chega, vamos aos fatos: isto é uma brincadeira — cruel e de mau gosto, diga-se de passagem, mas ainda assim uma brincadeira — destinada a limpar de uma vez por todas qualquer resquício de permanência em vossos cerebêlos da idéia de que a tradição zen vai dar colher-de-chá pros bundões que pensam que as Tartarugas Ninja são a síntese do pensamento budista assimilado pelo ocidente.
p.s.2: aproveitando essa
* começar frases com "Eis que..." é tão brega, mas ao mesmo tempo tão sedutor... Quase um Wando em letrinhas (NOT! ¬¬).

3 comentários:
isso me lembra quando minha professora chamou meu artigo de 'zen', sendo que eu estava falando de yoga...
Adoro que o senhor reapareça.
E mais ainda com texto que me faz rir - e me identificar taanto. Minha paciência é ainda menor que minha altura mísera.
Começar frase com "eis que"é super charmoso. Vou escrever um texto hoje e pelo menos uma frase vai começar com o "wando em letrinhas".
Saudade de ler você, Fellipe. ;)
=*
há, mto bom!
e, afinal, basta procurarmos um pouco para ver que a filosofia zen não é essa coisa "amor-borboletas azuis-estamos aí pro que der e vier".
por exemplo dando uma olhada no site do templo zu lai - meditação (http://www.templozulai.org.br/meditacao.htm), é fácil entender um pouco mais, hehe.
abs
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