quinta-feira, 17 de junho de 2010

Das coisas que passam, mas não queremos crer

Tomou-me a dama a nuca, logo as mãos, num gesto que amedronta-me, afirmo, tamanho o carinho. Desconfiei... Não pode ser o sinal bem quisto do apego, este vilão que, sempiterno, vaga entre os não formados pares. Não pode. Não deve. Mais não deve que não pode.

Ainda assim, fitou-me com ternura que não condizia com as palavras (não a mim, de pronto): "deixa de ser besta, a gente se gosta!"

O medo, não maior que o caos daí nascido, forçou o moço a preparar um digníssimo desjejum. Daqueles de levar ao leito, sabem?

Sinto um péssimo odor nesse conto. Porque o conto deve ter, para ser no mínimo enxuto, lavado de manchas. E a mancha do querer suja qualquer alva peça bianca de pano que nos venha parar às mãos. Essa mazela, bem o sabemos, não faz distinção alguma: como breve e rochoso carrasco, fere a liga e corta a pele. Não nos deveria — a nenhum de nós — ferir em e com tão franca maldade ou crueza... Como de fato não faz, admito, mas devo por honra desonrá-la, tanto fez-me cair em dúvidas...

Temer o irredutível efeito do querer ainda é mole, como se diz-se (não necessariamente assim) cá por estes páramos, mas querer bem??? Ah!, isso não desejo a meu pior inimigo (desta feita, à vuvuzela, que de mais ninguém desgosto tanto...)!

Que o faça com o peito deflagrado e com a coragem do leão que já citei, porque não assim, só posso desejar-lhe o que é de seu mérito: a tristeza pelo que é e não mais será.

Por que?

Porque do miúdo que sei, o que mais me toma é a certeza de que, apegando-se, lamento, amigo ou amiga: só lhe resta meu e-mail pra relatar as dimensões da cratera que te habita o seio.

Do querer, o único filho nascido e legítimo é o vazio. E também por vezes o sonho, não nos esqueçamos deste, por favor.

Espero amar outra vez mais, mas de esperar morreu o bode e, de crer, levou uma personagem quarenta anos a cruzar um deserto.

Sinto um tanto pela dureza, mas de nenhuma das vantagens creio dispor. Nem mesmo desses quarenta anos certificados, tanta comida ruim consumo de cá...

Fico com a certeza de querer bem a todos que passaram por minha vida. Sejam os bons amigos, sejam os colegas, sejam os desconhecidos, os conhecidos ma non troppo, sejam os pratos que comi ou até mesmo a trupe de alheios que me tocaram num breve encontro (não são poucos, tampouco eu ingrato: vos devo, amigos de ocasião!).

A tudo que me cruzou a linha, só deixo isso como testamento: obrigado. A vida que ganhei de presente sem mérito suficiente NÃO FOI EM VÃO!

Eu amo respirar.

p.s.: caso algum de vocês chame-se Abdulakbel (ou algo fonéticamente parecido — desculpa, brother, mas meu amigo se chama Abdul e eu só sei escrever assim... — e esteja envolvido em minha vinda a este mundo, PORRA, CARA, TE DEVO UMA BREJA!!! Caso isso seja só um delírio de velho, razão ou lembrança... Bem, Todo conto DEVE ter um tanto de ficção, né? hahahaha Pode cobrar, cara! Obrigado. MESMO.

2 comentários:

Camila S. disse...

Respirar dá a maior brisa!

// Bayer disse...

Continua postando, o pá.

Abrs,
San
http://olddogcycles.blogspot.com/